A universidade como espaço de disputa de ideias, formação crítica e construção coletiva de saídas para o país. É com esse horizonte que nasce o Diálogos para Ação, um ciclo de debates que reúne movimentos sociais, intelectuais, lideranças populares e a comunidade acadêmica para enfrentar, com profundidade e compromisso político, os desafios do Brasil e do mundo.
A iniciativa, realizada pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), propõe mais do que reflexão: quer incidir na realidade. Em um momento de crise global, avanço de projetos autoritários e aprofundamento das desigualdades, o projeto aposta na articulação entre universidade e sociedade para atualizar diagnósticos, fortalecer a organização popular e disputar consciências.
Mais do que um ciclo de debates, portanto, o Diálogos para Ação se apresenta como um chamado à participação ativa, à reflexão crítica e à construção coletiva de alternativas. A iniciativa se insere em um esforço mais amplo de fortalecimento da esfera pública democrática, por meio da produção de reflexão crítica comprometida com a transformação social. Ao promover o diálogo entre universidade, sindicalismo e movimentos sociais, o projeto reafirma a importância do pensamento crítico e da elaboração coletiva diante dos impasses contemporâneos.
Segundo Luciano Fetzner, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, “o projeto busca superar os muros acadêmicos, integrando o conhecimento científico à prática dos movimentos sociais e sindicais”. Lúcio Costa, coordenador do Diálogos para Ação, complementa que o “o objetivo do projeto é construir diagnósticos de conjuntura que auxiliem na formação de opinião e na transformação social, em busca de justiça e igualdade”.
Aula Magna abre programação em 28 de abril
Programado para ocorrer ao longo de 2026 e 2027, sempre com inscrições gratuitas, o Diálogos para Ação terá início em 28 de abril, com a aula magna “Impactos da crise da hegemonia estadunidense e as novas guerras”. A aula acontece a partir das 19h, na Sala II do Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110 – Porto Alegre).
A aula magna conta com a participação de Tatiana Berringer, assessora especial de Relações Exteriores da Presidência da República, e Gilmar Mauro, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ex-governador e ex-presidente do SindBancários, Olívio Dutra, e a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, participam da abertura.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas via Sympla, neste link.
Ciclo abordará temas centrais da conjuntura
Com um encontro por mês, a programação do Diálogos para Ação tratará de temas considerados centrais para a compreensão da conjuntura nacional e internacional. Os encontros acontecerão no Salão de Atos e auditórios da UFRGS, além de espaços do SindBancários, sempre às 19h. O ciclo fornecerá certificado de 45 horas de extensão para os participantes.
Para 2026, estão previstos os seguintes temas:
- A disputa de rumos no Brasil (19/05)
- América Latina: um continente em disputa (29/06)
- O mundo do trabalho hoje (21/07)
- O desafio da extrema direita (18/08)
- Economia: o Brasil na crise mundial (20/10)
- Luta antirracista e os desafios para a cidadania negra no Brasil (17/11)
- Segurança pública: para além da lógica do conflito e da militarização (15/12)
Os encontros contarão a presença de nomes relevantes das universidades, da pesquisa, do sindicalismo e dos movimentos sociais, que têm protagonizado o debate público, como a economista Juliane Furno, o jornalista Leandro Demori, a educadora e militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Ieda Leal, a professora e pesquisadora da Unicamp, Marilane Teixeira, a diretora científica do CCI/Cebrap, Camila Rocha, o ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin e a vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Iyá Sandrali, entre outros.
Mais do que um ciclo de debates, o Diálogos para Ação é um chamado à participação ativa, à reflexão crítica e à construção coletiva de alternativas. Não há transformação social sem organização, sem debate qualificado e sem povo consciente. Em tempos de ofensiva conservadora e ataques aos direitos, ocupar os espaços de formação e debate é também um ato político. E a história mostra que é quando o povo se reúne para pensar e agir que a realidade começa a mudar.